A Sobrevivência dos Mananciais - Raphael Rolim
Dia 22 de março é comemorado o Dia Mundial da Água. Este bem tão precioso e cada vez mais escasso necessita de atenção especial e cuidados que, atualmente, lhes são dispensados.
Podemos definir manancial como o “local onde há descarga e concentração natural de água doce originada de lençóis subterrâneos e de águas superficiais, que se mantém graças a existência de um sistema especial de proteção da vegetação”. Nestes locais, normalmente, formam-se importantes ecossistemas como as várzeas, alagados e brejos, com vegetação altamente adaptada às condições de encharcamento, onde pulula enorme variedade de espécies animais. Por sua vez, os excedentes aqüíferos dos mananciais formam riachos, ribeirões e rios, criando assim uma rede hídrica com cursos d`água de tamanhos variados. Ou seja, as regiões dos mananciais são de importância vital na formação das cadeias hídricas, de forma que devem ser protegidos administrativa e legalmente.
Ao redor de nossa cidade, existem diversas áreas de mananciais e a população pouco sabe sobre elas. Vale lembrar o episódio ocorrido no município de Tijucas do Sul em 2003. Após realizar alguns estudos ambientais na região, a prefeitura da época “descobriu” que existe ali uma área de manancial e tratou de encher a cidade com placas informativas. Ao invés de causar orgulho na cidade, o fato causou a revolta de vários moradores e serviu de plataforma política da oposição, que ganhou as eleições.
Episódios em que a proteção do meio ambiente causa desconforto e a revolta da população são freqüentes em regiões em que a agricultura predomina ou uma indústria domine a economia da cidade. A emissão de efluentes e a falta de fiscalização ambiental mais rígida fazem com que os mananciais se tornem verdadeiros coletores de produtos químicos altamente contaminantes e poluidores. A degradação de “Bolsões Verdes” e da Mata Ciliar prejudicam de maneira substancial a qualidade da água, haja vista que estes agem como barreira de proteção contra agentes poluidores.
Aproximadamente 12% de toda a água doce do mundo concentram-se no Brasil e pouco se faz politicamente para a preservação deste precioso bem. Educação Ambiental para o Ensino Fundamental e Médio pode ser uma ferramenta vital para a conscientização dos futuros “inquilinos” deste planeta, nosso filhos.
Raphael Rolim é
Acadêmico
de Biologia e
Secretário Estadual da
Juventude PV/PR.
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